quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Criança terrena e Criança cósmica segundo a Antroposofia


Rudolf Steiner mostra para professores e médicos da escola Waldorf que a cabeça, com suas curvaturas esféricas, é uma imagem da abóbada do céu. É ai que o pensamento pode elevar-se ao espírito. Em suas palestras, Steiner fala da plasticidade da cabeça que predomina nas crianças. Algo do passado foi dado ao seu corpo etérico e foi capaz de trabalhar em particular no desenvolvimento do sistema da cabeça.
É raro encontrarmos uma pessoa, em que a cabeça e o resto do corpo tenham sido igualmente bem formados, de tal modo que temos a impressão de já encontrar a individualidade da criança como uma unidade. Podemos sempre nos perguntar se o indivíduo já está totalmente presente ou se este ainda está por vir. Então, de repente, na quinta série, temos um aperto de mão real de uma criança e percebermos que ela chegou!
Criança terrena
Podemos ter uma criança que dá um aperto de mão firme e forte a partir dos três anos de idade, o que nos dá uma impressão muito diferente. Essas crianças estão muitas vezes com sujeiras em suas mãos, pois gostam de colocá-las na terra. Aqui vemos a conexão com a terra, o interesse em tudo terreno. Estas crianças adoram todos os detalhes da terra, estão totalmente presas ao mundo terreno, e são dotados de um dom para enfrentar a existência terrena. Essas crianças sabem lidar com a terra e seus arredores, têm uma orientação muito prática, mas não são quietas e pensativas, e assim não são capazes de colocar seu dom para em prática, serem úteis, é por isso que eles precisam da nossa ajuda. A criança terrena, independente de seu temperamento, tem um tom leve de melancolia em sua natureza. Isto pode, é claro, ser a fonte de uma série de problemas comportamentais. O tom melancólico é o resultado do fato de que este dom que ela tem para lidar com o terreno, também significa estar sobrecarregada pela terra. Os fatores hereditários predominam nessas crianças, quando elas encarnam. O céu e o cosmos não são fortes o suficiente para equilibrar o terreno, e assim elas tendem a ser dominadas e definidas por aquilo que vem do fluxo da hereditariedade.
A recomendação aqui em termos de terapia é que as necessidades das crianças devem ser atendidas no momento que elas se encontram, atender às necessidades da criança com as medidas apropriadas no momento que ela está. Olhar para a sua fase e respeitar. Se um tom melancólico está presente, levar a criança de um tom mais baixo da melodia para um tom mais alto, e com leveza o humor será. O movimento interior é música e canto, o exterior é de movimento corporal. Assim, a música e a Euritmia são os elementos-chave na terapia de crianças terrenas. Isso pode representar um verdadeiro desafio para os professores, uma vez que estas são precisamente as crianças que se atiram no chão durante o processo e não querem participar.
O que é que estas crianças têm de aprender através do movimento e da música?
Elas têm que aprender a se envolver com os seus sentimentos e no que estão fazendo, e só podem fazer isso se sente um forte sentimento de identificação com o a matéria. As crianças aprendem a desenvolver um sentimento pelo dom especial que lhes foi dado, a capacidade de se mover e de se relacionar com tudo que é terreno. Assim, os sentimentos devem ser despertados para a música e o movimento, e para os elementos do belo, da luz e escuridão, de tenso e relaxado. Através destas experiências, a criança se torna consciente das suas habilidades e interesses. Os sentimentos podem despertar seus pensamentos adormecidos, de modo que os céus também podem começar a falar com essas crianças.
Criança cósmica
A criança cósmica é talentosa e com um rico pensamento vivo. Ela traz uma resposta sensata, aonde temos a sensação de que carrega tesouros interiores, mas tem membros desajeitados que ainda não estão preparados para a vida terrena. As crianças celestiais são bem dotadas e têm uma riqueza interior. Riqueza esta que elas ainda não podem expressar realmente e fazer frutificar na terra, pois por enquanto não são suficientemente talentosas para lidar com o terreno. Isso envolve o funcionamento do seu corpo etérico e a relação dela com o seu passado. Traz certa mobilidade em seu pensamento, Rudolf Steiner chama atenção para todas as disciplinas que exigem observação e reflexão: História, geografia, história natural, literatura e poesia. 
Tanto a criança terrena como a cósmica têm necessidades especiais quanto aos conteúdos das aulas.
Através das artes podemos envolvê-las através dos seus sentimentos e experiências. O caminho da verdadeira arte é o trabalho para se chegar à experiência da beleza, aonde a perfeição nunca é atingida, e se aprende que o que importa é a prática artística criativa. O professor precisa ser um artista que apresenta seus conteúdos e as histórias de forma dramática e criativa. Tal ensino traz a criança cósmica para a Terra, pois seu próprio ser é capaz de encontrar uma conexão com o sistema metabólico e os membros, sua ferramenta para estar na terra.
Por outro lado, a criança terrena com o dom para o movimento, o dom para lidar com a terra, experimenta o poder da beleza e desenvolve a capacidade de dominar seu movimento, lentamente encontrando a conexão com a capacidade do pensamento, sendo levada ao cosmo.
Hoje é cada vez mais difícil para as crianças realmente se manter ereto, estarem presentes nos gestos e nos seus movimentos. As atrações do mundo exterior fazem muitas crianças mais terrenas do que seriam. Quando o professor trabalha especialmente duro em sua postura, em seus gestos, na maneira como seu ego se manifesta através de seu corpo, isso tem um grande efeito sobre as crianças. É importante, no entanto, que Euritmia seja praticada.
As pessoas costumam perguntar se o aspecto terreno está sempre associado com a criança de cabeça pequena e o aspecto cósmico com a criança de cabeça grande. Este não é o caso. Há crianças de cabeça grande e de cabeça pequena, com aspecto terreno ou aspecto cósmico. A cabeça grande e a cabeça pequena são expressões da condição física e da interação do sistema neurológico com o sistema metabólico. Assim, o tratamento nesses dois casos visa apoiar as funções físicas, tais como a nutrição. No caso da criança terrena e da criança cósmica, as coisas são diferentes, pois aqui o ser da criança é abordado no nível etérico. Tudo depende se ela pode individualizar a cabeça ou os membros de um modo adequado.

    

domingo, 7 de agosto de 2016

domingo, 17 de julho de 2016

O medicamento na visão antroposófica

A cura não depende apenas de remédios, mas também da relação harmônica entre o indivíduo e o mundo que cerca. Com o medicamento antroposófico o indivíduo pode resgatar a memória do processo essencial do funcionamento do seu organismo
Zoonar RF / Thinkstockphotos

O processo evolutivo do ser humano pode ser analisado por meio de seu comportamento e muitas de suas ações cotidianas têm como fundamento a imitação. De acordo com psicanalista suíço Carl Jung, essas tendências herdadas e armazenadas no inconsciente coletivo são denominadas arquétipos. Elas são responsáveis por fazer com que o indivíduo se comporte de modo semelhante de seus ancestrais, que enfrentaram situações similares às do presente momento1.
A experiência do arquétipo normalmente se concretiza na forma de emoções associadas a acontecimentos importantes da vida. A antroposofia complementa esta teoria ao afirmar que os arquétipos seriam particularidades internas correspondentes a modelos já existentes de processos fisiológicos, emocionais e espirituais2. Eles estruturam o ser humano em sua individualidade e inter-relações sociais, culturais, biológicas e históricas, processo que compõe em parte sua biografia.
Tal configuração se deve ao desenvolvimento do pensamento, que, ao partir do raciocínio lógico e subjetivo, pode alcançar a essência arquetípica dos processos naturais e participar do processo de cura do indivíduo. O médico Wesley Moraes afirma que para entender o pensamento antroposófico, é necessário compreender sua criação e suas forças curativas3.

Macrocosmos e microcosmos

Assim como o arquétipo constitui uma linguagem na representação humana, o logos (referência grega para a criação) é a força criadora do universo4. Ele é responsável pelo bom funcionamento do universo, pois organiza os arquétipos e se estrutura como a inteligência capaz da criação. Quando um indivíduo adoece, é como se sua energia criativa entrasse em desarmonia5. Seu logos não consegue mais organizar seus arquétipos, e consequentemente suas funções e reações, mesmo dentro do indivíduo. Um estado de caos se instala e gera um desequilíbrio frente às circunstâncias enfrentadas na vida. É a partir desse momento que o conceito de medicamento antroposófico atua com um olhar diferente do modo tradicional. Tal metodologia não apenas terá reflexos no estado físico, mas na totalidade do organismo. O medicamento seria então uma espécie de “gravação” viva da essência da criação. Durante sua ingestão, o indivíduo pode resgatar a memória do processo essencial de seu funcionamento antes do desequilíbrio se instalar, o que funciona como um “logos artificial”.

Tratamento integral

Da mesma forma que o ser humano é considerado como um macrocosmo e possui diversos microcosmos dentro dele, esses possíveis medicamentos possuem a mesma constituição e trazem ordem para o caos3. Tudo pode ser utilizado como um medicamento, desde minerais, plantas e aromas até sons e cores.
Um medicamento antroposófico pode atuar de três modos diferentes no ser humano6:
- Estimular o processo contrário à doença, como ocorre no tratamento alopático de indicação.
- Combate-se uma inflamação com plantas anti-inflamatórias;
- Agir de modo igual à doença para provocar uma reação contrária em direção ao equilíbrio;
- Buscar a atividade normal do órgão ou sistema afetado por meio do “logos artificial”.
Na visão antroposófica, um medicamento é sempre a reafirmação da unidade entre os processos arquetípicos humanos e mundanos. Dessa forma, a vida não é apenas biológica, mas sim social e cultural e essa dimensão não pode ser separada do indivíduo.
O processo de existência do indivíduo então pode ser entendido então como a articulação de um conjunto de esferas7 que integram necessidades sociais, condições de vida e o trabalho humano, que juntamente com sua biografia cria a possibilidade de intervenção em sua própria natureza. Uma construção humana social corresponsável possibilita ao indivíduo superar seus limites e criar sua própria trajetória.

Referências
1. BURKHARD, G. Tomar a vida nas próprias mãos: como trabalhar na própria biografia o conhecimento das leis gerais do desenvolvimento humano. São Paulo: Antroposófica, 2000.
2. CAPONI, S. et al. Medicalização da vida: ética, saúde pública e indústria farmacêutica. Palhoça: Unisul, 2010.
3. MORAES, W. A. Medicina antroposófica: um paradigma para o século XXI. São Paulo: Associação Brasileira de Medicina Antroposófica, 2007.
4. SCHLEIER, R.; GARDIN, N. Medicamentos antroposóficos: vademecum. São Paulo: João de Barro, 2009.
5. SILVEIRA, N. Jung: vida e obra. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.
6. STEINER, R. A fisiologia oculta. São Paulo: Antroposófica, 1995.
7. ALL ABOUT PHILOSOPHY. Platão, filósofo grego. Disponível em:http://www.allaboutphilosophy.org/portuguese/platao-filosofo-grego.htm. Acesso em: 26 nov. 2013.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

V Congresso de Medicina Antroposófica da Zona da Mata Mineira


 Encontros, vivências, troca de experiências, multidisciplinaridade, aprendizado e renovação





domingo, 12 de junho de 2016

quarta-feira, 8 de junho de 2016

As 12 virtudes

 Um caminho para quem busca o autodesenvolvimento


O caminho de autodesenvolvimento, as chamadas ´doze virtudes´ estão incluídas em exercícios que podem ser praticados a cada mês do ano, acompanhando o signo correspondente.
Estes exercícios foram recomendados por Helena Blavatzky e Rudolf Steiner lhes deu algumas complementações.
A palavra ´virtude´ se origina do latim virtus, que também é sinônimo de ´potência´ e significa ´força´. 
Recomenda-se iniciar a prática de treinamento das virtudes no dia 22 de março de todo ano, mudando a virtude a cada mês.
Cada virtude quando treinada traz consigo, respectivamente, o desenvolvimento de uma nova qualidade, transformando assim, pouco a pouco a vida daqueles que a exercitam.
A seguir especificamos as doze virtudes, correspondendo aos signos, e suas qualidades transformadas e a cada dia vamos comentar uma dessas virtudes:

SIGNO - VIRTUDE - QUALIDADE 

Áries - Devoção - Renúncia
Touro - Equanimidade - Progresso
Gêmeos - Perseverança - Fidelidade
Câncer - Altruísmo - Purificação
Leão - Compaixão - Liberdade
Virgem -  Polidez - Sensibilidade, cortesia
Libra - Satisfação interior - Serenidade
Escorpião - Paciência - Cognição
Sagitário - Controle da fala, do pensamento - Percepção da verdade
Capricórnio - Coragem - Redenção
Aquário - Discrição - Força meditativa
Peixes - Magnanimidade (grandeza de alma) - Amor

Fonte: As Forças Zodiacais – Gudrun Burkhard

sexta-feira, 27 de maio de 2016

ATM e postura


Atualmente a ciência possui novas evidências quanto a relação das vias aéreas e da ATM com relação à postura do corpo. Sabe-se, por exemplo, que a mandíbula é parte integral do sistema postural, que gera movimentos compensatórios durante a locomoção e cuja condição da ATM e relação muscular com o osso hióide, interferem na respiração e na capacidade motora e força cervical.
O que leva muitos dentistas da OFM e fisioterapeutas a perceberem na prática clínica uma relação entre a oclusão e a postura é o fato de que muitas dessas más oclusões são consequências de patologias da ATM e de alterações das vias aéreas, estas sim, as verdadeiras causas das alterações posturais. Muitos são os exemplos que podem ser utilizados para ilustrar essa situação:
Os retro posicionamentos condilares traumáticos e processos degenerativos articulares podem produzir uma “má oclusão de classe II”, em função da retrusão mandibular e com isso afetar também as vias aéreas; as obstruções nasais, com consequente respiração bucal, costuma produzir uma má oclusão do tipo “mordida aberta anterior” e assim por diante…
Esses fenômenos sim são justo aquele que o dentista ou fisioterapeuta observa na clínica: um paciente com uma má oclusão e uma má postura, que parecem estar relacionadas, mas é preciso entender que a má oclusão em si é também uma consequência e não a causa da situação. As artropatias temporomandibulares e alterações respiratórias são os verdadeiros responsáveis pelas alterações posturais. Se há uma alteração postural em um indivíduo, é preciso proceder a uma avaliação para saber se há componentes ascendentes e descendentes, sendo que para este último, as condições da ATM, vias aéreas e consequentemente da posição ortopédica da mandíbula precisa ser considerada.